Prainha: Local onde tudo começou

A cidade, quase sempre tão sonolenta nos dias comuns, naquele sábado, entretanto, regurgitava de vida. O assunto luz elétrica era comentado por todos. Os vizinhos conversavam por cima das cercas divisórias dos quintais. Nas quitandas, nos botequins e nos armazéns de secos e molhados o assunto era sempre o mesmo. Inúmeras casas, principalmente as das pessoas com maiores recursos financeiros, já estavam com suas instalações concluídas. Pouquíssimas famílias encomendaram lustres para as salas de visitas. A maioria, porém, sem condições financeiras, contentava-se com enfeites coloridos de papel crepom, em forma de arcos, adaptados aos pendentes das lâmpadas.

Meses antes, o trabalho de desembarcar da barcaça os postes de madeira e os rolos de fio era motivo de aglomeração dos curiosos no cais da Prainha. Logo a notícia se espalhava e os comentários tomavam corpo nos bares, nas portas das quitandas, no interior dos armazéns ou nas esquinas das ruas. Muitos ainda tinham dúvida e só acreditavam depois que iam ao local onde o material era empilhado.

Foi na Prainha que começou a colonização do Espírito Santo, lá foi construída a primeira igreja do Estado, enfim, a história capixaba começa por ali. Com a chegada dos portugueses em 23 de maio de 1535 começaram a ser erguidas as primeiras moradias, além disso foi iniciada a construção da capela que daria origem à igreja de Nossa Senhora do Rosário.
A Igreja do Rosário, aliás, era o centro das atenções no início do bairro, como afirma o morador antigo Jair Santos, 82, que reside na Prainha desde 1932. “Tudo girava em torno da Igreja do Rosário. Vila Velha não tinha nada, não havia lazer. Então, as pessoas se reuniam na praça, perto do coreto, para assistir à banda do Exército tocando”, detalha seu Jair.

Ele, que mora na casa que foi construída pelo avô, lembra ainda como era limpa a praia do bairro, hoje imprópria para banho. “Ninguém ia para a Praia da Costa. Isso aqui é o centro de tudo em Vila Velha. A praia que temos aqui no bairro tinha água limpa, morna e clara. As mães levavam seus filhos pequenos para brincar na praia, era excelente”.

O bairro era passagem para o bonde, e a iluminação era feita com lamparina a querosene nos postes de madeira. As mercearias vendiam de pequenas provisões e anzóis e chapéus de palha. O nome Prainha nasceu do hábito carinhoso dos moradores de chama-la desta forma, devido à pequena enseada existente ali.

Roteiro histórico

O roteiro começa pela enseada da Prainha, cenário onde aportou o primeiro donatário do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho, e onde começou a colonização do Espírito Santo.

O bairro é berço ainda do maior cartão-postal do Estado, o Convento da Penha, além da Gruta Frei Pedro Palácios, do Forte São Francisco Xavier, da Igreja Nossa Senhora do Rosário, do Museu Homero Massena e do Museu Etnográfico, mais conhecido como Casa da Memória.

Fonte: Jornal AGazeta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*