Com o mochilão nas costas, jovens dão dicas de tour econômico

De: Diego Costa

A relações públicas Mariana Ramos, 24 anos, morou e estudou comunicação geral em uma universidade em Madri, na Espanha, no último ano de seu curso, em convênio com a Universidade de São Paulo (USP). Um pouco antes de retornar ao Brasil, Mariana partiu em um mochilão por alguns países da Europa, no meio do mês de janeiro de 2009. “Tinha vontade de conhecer a Europa, mas, por falta de dinheiro e trabalho, não viajei tanto quanto gostaria”, disse. Para algumas pessoas, pode parecer simples juntar uma muda de roupa, colocar uma mochila nas costas e dar “tchau” aos pais – ou ao namorado – e ainda arcar com as despesas de uma viagem internacional. Um dos empecilhos pode ser principalmente a parte financeira. Assim como Mariana, outros personagens ouvidos pela reportagem do Terra arriscaram “mochilar” por aí, contaram histórias e deram dicas de como fazer um tour sem gastar altas quantias.

Segundo o ministério do Turismo, é difícil mensurar o número de mochileiros Brasil afora, porque são viajantes que saem do País por conta própria e que se hospedam em lugares que não realizam controle de hóspedes.

A RP e mais duas amigas visitaram a Bélgica, Holanda, Alemanha, República Tcheca, Hungria, Itália e França, basicamente as capitais e arredores, contou. O ponto de partida foi de Madri, para Bruxelas. “Teve início quando compramos as nossas passagens pela Ryanair (uma empresa aérea que vende passagens a um custo baixo). O bilhete de ida custou 1 euro, com promoção”, afirmou. O intervalo foi de 22 dias, e o ticket de volta saiu por 20 euros. No total, Mariana gastou 1.000 euros – R$ 3.055,52, considerada a cotação do euro em 25 de janeiro de 2009 a R$ 3,05552, segundo o Banco Central Europeu (BCE).

A arquiteta Patricia Sampaio Papassoni, 26 anos, também morou na Espanha (por quatro meses e meio) e trabalhou coma arquitetura (era estagiária), embora tenha ido no sentido inverso de Mariana. Começou “mochilando” por Paris (França), onde colocava um queijo Camembert na janela do quarto do hotel para não estragar. “Assim, eu não teria que pagar pela geladeira”, explicou, aos risos. Segundo Patricia, compensava pagar diárias em hotel, já que hostels na capital eram mais caros. De lá, o tour continuou por: Londres (Inglaterra); Amsterdam (Holanda); Roma (Itália); e ainda restou dinheiro para visitar alguns países do leste europeu, durante um mês e meio. No total, foram seis meses de Europa (de janeiro a julho de 2010), e histórias como a de Paris até venda de cervejas na entrada de um festival de música na Espanha. A viagem custou 1.800 euros – R$ 4.126,32, considerada a cotação do euro em 30 de julho de 2010 a R$ 2,2924, de acordo com o BCE. Em 2008, a mochileira já havia ido para a vizinha Argentina e gastou R$ 1.000.

Maísa Gomes Martins dos Santos, 24 anos, ficou também formada em Relações Públicas, gastou 850 euros – 1.883,00, considerada a cotação do euro em 24 de dezembro de 2010 a 2,2153, segundo o BCE -, durante 20 dias de viagem pela Europa. Ela passou por Budapeste (Hungria); Viena (Áustria); Praga (República Checa); Cracóvia (Polônia), Munique (Alemanha) até chegar em Genebra (Suíça) e se hospedava sempre em hostels. Segundo a jovem, gastos com alimentação e passeios turísticos saíram mais caros do que o transporte (basicamente feito por ônibus e trem e que são mais baratos no leste europeu), enquanto hospedagens era o item mais barato. Dentre os países que visitou, ela destaca a capital Budapeste. “É uma cidade muito bonita, embora esteja um pouco degradada. Mas visitamos com os amigos as águas termais e um bar que recebia muitos mochileiros”, comentou.

Dicas mais baratas

Roteiro: O mochileiro Gustavo Tristão, 25 anos, estudante, indica que uma viagem bem organizada começa pelo roteiro. “Se a procura por passagem aérea for feita cerca de três meses antes do embarque, fica mais barato”. Tristão, que passou o reveillon do ano passado em Viena (Áustria), passou por parte do leste, Berlim (Alemanha), Amsterdam, Antuérpia (Bélgica) até chegar em Londres.

Em Londres: segundo Patricia, o mochileiro encontra cerveja barata e tem a vantagem de não pagar entrada nos bares. Os hostels também são baratos, enquanto alimentação pode ser comprada a um baixo custo nos supermercados.

Na Espanha: Patricia disse que vale a penar experimentar e comer bocadillo (um lanche natural), que sustenta e é gostoso.

No leste europeu: a arquiteta indicou o Eurail Passes, um ticket que proporciona viagens a um custo menor. A duração deste ticket depende do preço que o mochileiro irá pagar.

Pela Europa: De acordo com Mariana, parte do trajeto pelo velho continente foi feito de de trem. “Compramos, com desconto de estudante, o Interrail, um bilhete válido por 22 dias dentro de toda Europa. Custou pouco mais de 250 euros, mas fizemos todas nossas viagens com este valor”.

Fonte: Terra

Palavras-chave: , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*