Top 20 do “Capixabês”: coisas que só se encontra, se diz e se faz no Espírito Santo

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Neste 23 de maio é comemorado o Dia da Colonização do Solo Espírito-Santense. Em 1535, os portugueses, a bordo da caravela Glória, desembarcaram na Prainha, em Vila Velha. São 478 anos de história e, para muitos, uma busca incessante pela tal “identidade” capixaba. Parte da população afirma que o capixaba não tem uma identidade própria, que somos uma mistura de referências e que isso dificulta o “reconhecimento” pelo resto do Brasil das nossas raízes culturais. Muita gente discorda, é claro. E a discussão sempre acontece:

“Capixaba não tem sotaque” é uma frase sempre dita. “Vitória? Vitória da Conquista?”, afirmam os muitos que não sabem onde fica a nossa capital. “O Espírito Santo só aparece no Jornal Nacional quando tem tragédia”, reclama o morador do Estado.

Portanto, com muito bom humor, o Gazeta Online prepara um manual de referências culturais, de comportamento e de vocabulários que só existem no Espírito Santo. Quem sabe agora aquele seu amigo que mora em outro Estado consiga entender qual é o “rock”… quer dizer, o que só acontece por aqui.

E no final, se você reconhecer todos os termos, jeitos, manias e comportamentos, confira se você é realmente um capixaba de verdade…

Top 20 do “capixabês”

1 – Pocar – Um dos verbetes mais característicos do capixaba. “Pocar” é o mesmo que estourar. Ex: “O balão pocou”. Mas também pode ser usado no sentido de sucesso, de coisa boa: Ex: “O show no Álvares pocou”.

2 – Chapoca – Sem qualquer referência aparente e de dificil explicação, “chapoca” é muito usado no Espírito Santo para definir uma coisa muito grande. Ex: “Era uma chapoca de um buraco…”. Apresenta a derivação “chapocura”, que delimita o tamanho de tal coisa. Ex: “Era uma gambá desta chapocura (mostra com as mãos)…”

3 – Taruíra – Só no Espírito Santo a lagartixa é chamada de “taruíra”. Portanto, se você é turista é alguém gritar “olha a taruíra”, não precisa sair correndo. A não ser que você tenha medo de lagartixa…

4 – Gastura – ok, muitos brasileiros falam a palavra “gastura” para definir algo desconfortante, mas no Espírito Santo ela é usada indiscriminadamente. Capixaba está com medo? Está com gastura. Capixaba está ansioso? Está com gastura. Capixaba está achando o show ruim? Está com gastura.

5 – Palha – Não, não se trata do subproduto vegetal de algumas gramíneas. Para o capixaba, “palha” é algo ruim, mal feito, fraco. “Esse show está palha”, “O jogo da Desportiva foi palha”. “Guarapari perdeu na Dança dos Famosos? Que palha…”

6 – Bicho – A Jovem Guarda já passou e nem Roberto Carlos, o filho ilustre, usa mais esta expressão. Mas capixaba que é capixaba tem que falar “bicho”. Homem, mulher, criança, velho… Todo mundo coloca “bicho” em qualquer frase, mesmo que esteja falando sozinho. Ex: “Que trânsito é este na Terceira Ponte, bicho…”

7 – iá – a interjeição predominante do capixaba. O mineiro fala “uai”. O capixaba fala “iá”. Para coisa boa ou ruim, solta um “iá”, que você vai se enturmar com os locais.

8 – Pegar e Saltar do ônibus – O capixaba que vai para o ponto de ônibus (sem abrigo) não sobe no ônibus. Ele “pega” o ônibus. Mesmo que fisicamente impossível, mas é assim no Espírito Santo. E depois de “pegar” o ônibus, o capixaba não desce: ela “salta” do ônibus. Mesmo que não necessariamente fazendo o movimento de saltar. Portanto, não estranhe se o seu amigo do Espírito Santo “pegou” e “saltou” do transporte coletivo.

9 – Catar, panhar – O resto do Brasil diz: “Filho, pegue o copo no armário”. O capixaba “panha” ou “cata”. Isto mesmo, “panha”. Aplicação na frase: “Filho, panha o copo no armário”.

10 – Ir para o rock – Não interessa se o ritmo é funk, axé, samba. E nem interessa se você vai para um churrasco de tarde ou se uma boate de noite. O capixaba não sai para a balada: ele “vai para o rock”. No caso, rock é qualquer ritmo, agito, festa ou balada. E não pense que o “rock” é só na rua. Fazer o “rock” em casa também vale. Portanto, se um capixaba te perguntar “qual é rock”, não precisa responder Beatles, Iron Maiden ou Led Zeppelin… Só diga onde vai que já está valendo.

11 – Capixaba só se guia por ponto de referência – Endereço completo? Pode esquecer… . Não adianta dizer que a reunião vai acontecer na Avenida Marechal Mascarenha de Morais… Talvez se você disser “avenida Beira Mar”, a coisa melhore. Mas se falar que seu prédio fica “do lado da Prefeitura, perto da churrascaria, perto de um barraquinha que vende coco”, aí fica tudo mais fácil. E uma coisa que só o capixaba faz: manter a referência do endereço de pontos comerciais que nem existem mais: perto da Seidel, da Giacomin, da rua da Telest, da pracinha do Boa Praça, do Santa Marta. A loja já acabou, a empresa mudou de nome, mas a referência fica eterna.

12 – Vou na “Cidade” – Capixabas mais antigos, mesmo morando na Grande Vitória, não dizem que irão no Centro de Vitória. Eles vão para a “Cidade”.

13 – Pracinhas de Jardim da Penha – Só o capixaba se confunde com as pracinhas de Jardim da Penha. Um dos trajetos mais fáceis de se fazer, seja a pé, de carro ou de bicicleta, deixa os nativos desesperados como se estivessem em um labirinto ou na ilha de Lost. Exagero típico do local.

14 – Sentir frio no calor – Só no Espírito Santo o povo sente frio com temperaturas abaixo de 23º. Um vento gelado e uma chuvinha já faz o capixaba tirar todos os casacos do armário, beber vinho e comer fondue.

15 – Picolé de araçaúna – muitos diziam que era feito com a casca da jabuticaba. Mas só no Espírito Santo se vende o picolé de araçaúna, uma fruta tão difícil de achar que alguns dizem se tratar de lenda urbana. Mas é um picolé gostoso…

16 – “Só eu posso falar mal” – A maioria dos capixabas é bem crítico com seus valores locais. Critica o futebol, a música, o descaso com a violência, a falta de investimento em turismo… mas quando a mídia nacional é quem revela as mazelas do Estado, aí o capixaba vira bicho, vai para o Facebook e faz campanha contra o tal cantor, o tal ator da novela, o apresentador de tv, o telejornal… A política é: “se alguém vai falar mal do ES, que seja o capixaba”. Você, que é de fora, não pode…

17 – O capixaba só cumprimenta quem ele conhece – Uma reclamação muito grande do turista que nos visita é de que, numa mesa de bar ou restaurante, o capixaba chega, cumprimenta quem ele conhece e nem dá bola para os outros que lá estão. Antipatia? Timidez? Miopia? Enfim, esse é um mau hábito da maioria que deve ser evitado. Mas é um fenômeno local.

18 – Pizza de Frango com Catupiry – uma das pizzas mais odiadas e criticadas no Brasil é inexplicavelmente adorada pelos capixabas. A estranha e nada atrativa mistura de frango com catupiry é um dos sucessos nas pizzarias do Estado. Por se tratar de um “fenômeno” local, o capixaba tem que prestar atenção: não queira levar este seu hábito alimentar quando viajar. Em outros Estados, ao pedir esta pizza, você pode sofrer “bullying”…

19 – Podrão – outro “fenômeno” alimentar do Espírito Santo. Depois de um show, da boate, do casamento, da formatura, o capixaba adora terminar a noitada comendo um bom “podrão”, termo usado para definir aquele hambúrguer caprichado. A partir das 2h da manhã, o agito sai das boates e vai para os trailers. Dá até para azarar nestes lugares…

20 – Mulher de Algodão – A maior lenda urbana capixaba. Muitas crianças já saíram correndo e gritando dos banheiros das escolas, afirmando ter visto uma menina, vestida de branco, com manchas de sangue e algodões na boca, ouvido e nariz. O fantasma, de acordo com os mais antigos, seria de uma mulher que morreu atropelada. Outros afirmavam que ela vinha buscar a filha que morreu trancada em um banheiro do colégio. Muita gente deixou de fazer xixi no banheiro da escola por conta disso…

Capixabês

Fonte: GazetaonLine


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